Dengue: o mosquito é o animal mais perigoso que existe

Com a pandemia da Covid-19, cresceu a suspeita de subnotificação dos casos de dengue, pois as idas ao médico foram adiadas por medo da infecção pelo coronavírus. Mesmo assim, em algumas regiões do país como o centro-oeste, são diagnosticados quase 500 casos para cada 100 mil habitantes.


Como já disse o Dr. Drauzio Varella, médico oncologista, cientista e escritor brasileiro:Muitos têm medo de cobra, onça, escorpião, piranha. Animais que podem atacar quando alguém chega perto. Mas é o mosquito o animal mais perigoso que existe. Ataca bilhões de pessoas no mundo todo, dentro de casa, na rua, nos campos, nas florestas.”


Acabar com o Aedes Aegypti, transmissor da dengue, não é uma tarefa fácil, principalmente em grandes centros urbanos. No verão é quando a situação tende a piorar, pois o mosquito gosta de água e calor.


COMO OCORRE A TRANSMISSÃO DA DOENÇA?

De forma geral, o Aedes Aegypti se alimenta da seiva de plantas e frutas do ambiente, porém apenas a fêmea, se estiver infectada, é capaz de transmitir a o vírus da dengue. Quando essa fêmea copula, precisa se alimentar de sangue para desenvolver os seus ovos – e é neste período que ela pica o ser humano.


O mosquito possui hábitos diurnos, costuma picar mais durante o início da manhã ou no final da tarde, e como ele voa baixo, acaba atingindo mais a região dos pés e pernas. Após a picada, o vírus cai na corrente sanguínea e começa a se multiplicar, principalmente em órgãos como fígado, baço e tecidos linfáticos.


FORMAS DA DENGUE

Existem quatro sorotipos diferentes do vírus da dengue. Cada vez que uma pessoa é infectada por um desses vírus, ela fica imune apenas a um sorotipo, porém ainda está vulnerável aos demais e tem mais chances de desenvolver complicações nas próximas infecções. Ou seja, podemos ser diagnosticados com a doença até 4 vezes durante a vida, sendo que o risco de complicações aumenta bastante a partir da 2ª infecção..


A dengue também se manifesta de diferentes maneiras, desde quadros assintomáticos (quando não há presença de sintomas), clássica, hemorrágica ou com complicações.


Clássica: é a forma mais comum, com evolução benigna apesar da intensidade dos sintomas;

Hemorrágica: apresenta sinais de alarme com alterações na coagulação sanguínea;

Com complicações: grave e rara, mas pode levar a óbito se não houver atendimento rápido.


SINTOMAS

Os sintomas da doença consistem em febre alta (comumente acima de 39 graus, dor intensa no corpo, nas juntas, dor de cabeça e atrás dos olhos. Náuseas e vômitos ocorrem em até metade das pessoas, assim como manchas vermelhas (“rash”) na pele.


A primeira fase de sintomas da dengue dura de dois a três dias e depois disso o doente tende a melhorar. Dificilmente a febre permanece por mais que 7 dias. No entanto, a partir do 3° a 4° dias do inicio dos sintomas pode acontecer a segunda fase – em especial nos pacientes mais vulneráveis ou que tiveram infecção prévia a outro sorotipo de dengue - podendo ocorrer sinais de sangramentos superficiais (como na gengiva e nariz) ou internos (como dor abdominal, indicando hemorragia intra-abdominal).


Ao sentir a presença de sintomas é fundamental que o indivíduo procure atendimento médico rapidamente, sem fazer automedicação, pois existem remédios que podem acabar aumentando o risco de complicações se ingeridos, como é o caso dos anti-inflamatórios e antitérmicos com ácido acetilsalicílico. Também é importante ficar atento aos sinais e sintomas que possam indicar evolução para um quadro de dengue hemorrágico, quando o tratamento deve ser instituído de forma rápida e muitas vezes com necessidade de internamento hospitalar.


DENGUE NA GRAVIDEZ

É possível que uma mãe infectada perto do período de nascimento, transmita a doença para o bebê no parto, apesar de não ser frequente. Também existe o risco de aborto, caso a dengue esteja presente nos três primeiros meses da gestação.


DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da dengue é fortemente sugerido pelo quadro clínico, mas o diagnóstico laboratorial é fundamental para a confirmação – já que outras doenças muito comuns e até mesmo transmitidas pelo mesmo mosquito (como o caso dos vírus Zika e Chikungunya) podem apresentar sintomas semelhantes.


Nos primeiros 5 dias do início dos sintomas, destacam-se os exames que detectam o vírus em si – neste caso, o antígeno NS1 do vírus da dengue. Na sequência, entre o 5° e 7° dias, o NS1 já não é mais encontrado e, então, sobressaem os anticorpos contra o vírus da dengue. Nesta fase, o aparecimento dos anticorpos IgM ( significando infecção recente) e IgG (infecção mais antiga, especialmente após 10-14 dias do início dos sintomas).


Também pode-se lançar mão de exames de biologia molecular como o PCR para o vírus da dengue, em que é pesquisado o RNA viral e inclusive consegue-se diagnosticar qual o sorotipo de dengue que está implicado. Este exame costuma ser fundamental para os serviços de Vigilância Epidemiológica para se identificar qual(is) sorotipos mais prevalentes estão circulando em uma determinada região.


Outros exames que auxiliam no diagnóstico e na identificação de fatores de gravidade são o hemograma (alterações como leucopenia e plaquetopenia costumam ocorrer com frequência), coagulograma, transaminases e creatinina.


TRATAMENTO

Ainda não existe um medicamento antiviral direto que combata o vírus da dengue. Por isso, o tratamento consiste em medicamentos e medidas para aliviar os sintomas. É crucial manter o corpo hidratado bebendo bastante líquido, consultar precocemente um médico e realizar o acompanhamento correto, retornando para nova avaliação caso apresente sinais de gravidade.


COMO SE PROTEGER DO MOSQUITO?

Com a chegada do home office, muitas pessoas acabaram deixando de se preocupar com cuidados preventivos importantes, como o uso de repelente. Além disso, existe aquela prevenção que todos já ouviram falar, mas acaba passando despercebida no dia a dia: não deixar água parada.


É necessário ficar atento à sua residência. Faça uma vistoria em garrafas, pneus, vasos de planta, caixas d'água, calhas, ralos, pias, reservatórios do ar-condicionado e da geladeira. Adquirindo esse hábito, pelo menos uma vez por semana, já é possível interromper o ciclo de vida do mosquito, que dura 10 dias. Telar as janelas e utilizar inseticidas também são boas opções para criar barreiras e impedir que o mosquito entre em casa e coloque seus ovos nos reservatórios de água.


Além de cuidar do local em que você mora, também é importante prestar atenção à sua vizinhança. É preciso ter um cuidado redobrado com bromélias e outras plantas que acumulam água, por exemplo, além de sinalizar quaisquer reservatórios de água parada. Caso encontre alguma região de risco, ligue para a vigilância epidemiológica da sua cidade para que os criadouros de mosquitos sejam prontamente eliminados. E lembre-se sempre: se há um caso de dengue na região, cuidado redobrado pois certamente há mosquitos transmissores próximos da sua casa!


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